domingo, 29 de janeiro de 2012

Vai um pouco de açucar? Não, obrigada!

Lembro-me muitas vezes da minha mãe dizer que, quando ela era pequena, açúcar só se usava uma vez por ano, que era no Natal para fazer as filhoses, e era do "escuro", pois o branco era escasso. E iogurtes? Não se lembra de comer em criança, mas mais tarde quando surgiram os primeiros iogurtes, que eram naturais!, nesse dia era uma festa!

Na verdade, não passaram mais de 60 anos desde que o consumo de açúcar refinado subiu em flecha. Enquanto os nossos genes se desenvolveram num meio em que uma pessoa consumia, no máximo, 2 kg de mel por ano, o consumo de açúcar aumentou para 70 kg por ano em finais do século XX.

O biólogo alemão Otto Heinrich Warburg recebeu o Prémio Nobel da Medicina pela sua descoberta de que o metabolismo dos tumores malignos estava, em grande medida, dependente do consumo de glucose (é a forma de açúcar depois de digerido pelo organismo). Isto deve-se à resposta da insulina, libertada após a subida dos açúcares no sangue, depois de ingerirmos açúcar ou farinhas refinadas, e também de outra hormona chamada IGF que, as duas em conjunto, além de estimular o crescimento das células, promovem um aumento dos factores inflamatórios, que funcionam como "fertilizantes" para as células tumorais.

Será possível voltarmos à alimentação de outrora?

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