quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Vegetarianos e suplementação de vitamina D

Em consulta, perante um resultado de deficiência de vitamina D, é frequente vegetarianos quererem optar (ou pedirem opinião) pela suplementação de vitamina D2 (forma vegetal, também conhecida por ergocalciferol) em vez da original vitamina D3 (colecalciferol). Poderão fazer esta suplementação, mas não irão corrigir a deficiência! A forma vegetal pode ser tomada como manutenção, associada a um estilo de vida que integre suficiente exposição solar, mas não para corrigir uma deficiência de uma substância tão vital que de vitamina só tem mesmo o nome!!! A vitamina D funciona no organismo como uma hormona e as suas intervenções são imensas.

É uma deficiência comum em grande parte da população, mas um pouco mais acentuada na vegetariana e ainda mais um pouco na vegana.
Além dos estudos mostrarem esta diferença, em que este da American Society for Clinical Nutrition é apenas um dos inúmeros exemplos, no âmbito da experiência clínica vê-se este fenómeno com muita clareza.

Ah... e já agora, a questão da fortificação nos alimentos não vale!unsure emoticon
A mesma ineficácia verifica-se na fortificação desta, não apenas pela baixa biodisponibilidade, mas sobretudo pelas quantidades, que ficam muito aquém do que verdadeiramente necessitamos.
Pode ler mais sobre o estudo referido acima, intitulado The case against ergocalciferol (vitamin D2) as a vitamin supplement 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Qualquer verdade passa por três estágios: Primeiro, é ridicularizada. Segundo, é violentamente combatida. Terceiro, é aceita como óbvia e evidente

E enquanto se descascam ervilhas do quintal e cozinha coisas boas pode-se praticar mindfulness _/\_
Se há um pensamento que me vem à mente com frequência nos últimos tempos, mais no último ano ou dois, é do filósofo Arthur Schopenhauer que afirma que "Qualquer verdade passa por três estágios: Primeiro, é ridicularizada. Segundo, é violentamente combatida. Terceiro, é aceita como óbvia e evidente."

Se essa reflexão não fosse escrita tal e qual foi, este pensamento criar-se-ia de igual forma na minha mente, com a mesma sequência e a mesma força com que foi escrita.
É o que caracteriza a ciência e a evolução das coisas, mas na abordagem à saúde (ou à doença) é tremendamente um facto. 
É interessante deparar-me diariamente com "descobertas" que saem para o público que falam de determinados alimentos ou dietas como a panaceia para todos os males, ou outros como verdadeiros vilões, em toda e qualquer situação, para quem quer que seja... quando muita desta informação já existe há milhares de anos na cultura Oriental.

Há para aí uns... 15 anos já me interessava pela filosofia da macrobiótica, mas ficou um pouco para trás quando escolhi estudar Ciências da Nutrição. O interesse reacende no momento em que começo a trabalhar em clínica, pois para mim "é óbvio" que os alimentos não são apenas um conjunto de nutrientes e calorias,

"é óbvio" que o corpo humano não é apenas um conjunto de órgãos e sistemas,

"é óbvio" que o nosso intestino é o nosso segundo cérebro,

"é óbvio" que a relação entre a alimentação e a saúde/doença está intrinsecamente ligada, mas também " é óbvio" que não se pode dissociar a cura da doença à alimentação e a todo o estilo de vida.

Quando falava do impacto que o leite (ou pelo menos o consumo regular) tinha na saúde... em usar o sal marinho em vez do comum... da importância das algas na alimentação... das infusões de determinadas plantas para determinadas condições de saúde... do ponto de vista energético dos alimentos (para além do nutricional)... da necessidade de ingerir alimentos depurativos em determinados momentos... de que o intestino é o nosso segundo cérebro... e por aí fora... a crítica era imediata, mesmo que gostassem de saber e sentissem que fazia sentido, porque "não interessam esses pormenores", "não fazem diferença nenhuma para a saúde", "desintoxicação para quê" e hoje em dia não se fala de outra coisa!

Felizmente a evolução dos conhecimentos na área da nutrição, especialmente da nutrição funcional, tem crescido muito nos últimos tempos e a consciência do impacto desta na nossa saúde física e mental é grande. A oferta das opções alimentares e da qualidade dos alimentos é cada vez maior e melhor (apesar de ainda insuficiente).

Na verdade, Hipócrates, pai da medicina, já ensinava este conceito há mais de 2500 anos, afirmando "Que o vosso alimento seja o vosso primeiro medicamento".