quinta-feira, 18 de maio de 2017

Queres MUDAR? Tens MESMO a certeza?

Tróia 2017
Consumir informação (e desinformação) é muito fácil nos dias de hoje. Opinar sobre tudo e mais alguma coisa nunca foi tão simples. Está tudo muito acessível e global. Lembro-me que há uns largos anos atrás, quando estava na faculdade e estudava sobre o fenómeno da globalização e o impacto na alimentação das pessoas do mundo inteiro, estava a perceber-se que a comida típica de cada povo, os alimentos nativos de cada cultura e de cada terra, estavam a desaparecer e a ser substituídos cada vez mais por comestíveis (conceito muito diferente de alimentos) no século XXI. E o que se tornava moda nos EUA, no dia a seguir (agora é no segundo a seguir), passava a ser moda em qualquer país do mundo.

Nada contra, desde que não se deixe de honrar e dar uso à sabedoria que nos trouxe até aos dias de hoje, nem se deixe de usar a parte do cérebro responsável por relacionar tudo o que nos vem parar ao prato, desde a sua origem, até ao resultado final do seu consumo, ao impacto que tem no corpo e na mente. É que isto tem consequências. O consumismo atual, que vai muito para além comida, o consumo de coisas, de pessoas, do que for... é grave. Transforma seres em "teres" e "fazeres" humanos viciados e desconectados. É como aqueles equipamentos que para se manterem ativos precisam de estar permanentemente ligados à corrente, porque perderam a conexão com a sua própria bateria. O nosso corpo também assim é.

Na verdade, esta foi apenas uma introdução, que cresceu sem querer, sobre o que gostava de escrever aqui hoje no que respeita a mudanças, mais especificamente transformações internas, mas ficará para uma próxima vez. Antes de terminar, gostava de te deixar uma sugestão: quando dizes que queres mudar algo em ti, um hábito alimentar ou de vida E procuras ajuda para isso, perguntas-te a ti primeiro se queres mesmo mudar?

Aconselho-te vivamente a fazeres esta pergunta a ti primeiro, mas não quando estiveres ligado à corrente, não quando estiveres a comer aquela nata ou bolinho "sem açúcar" para compensar a ausência deste no café. Quando simplesmente estiveres ligado à tua própria bateria, aquela que te faz correr o sangue nas veias na velocidade certa. Nesse momento pergunta a ti mesmo se realmente estás preparado para uma mudança interna. É que se queres melhorar a tua saúde, emagrecer, aumentar de peso, eliminar as dores em geral (de cabeça,...), os distúrbios gastrointestinais, os problemas de pele, as alergias, a síndrome pré-menstrual, a fadiga, as infeções recorrentes, etc., etc., precisas de querer também mudar hábitos alimentares e de estilo de vida.

Para isso precisas também de querer ver o que está por detrás dos teus hábitos e das tuas escolhas. Ver com os olhos do corpo, não aqueles que nos dão imagens externas, mas os que nos dão sensações profundas, aqueles que mexem na nossa bateria própria e a fazem carregar-se autonomamente.

Ao escrever isto, estou a lembrar-me de umas palavras que ouvi do Salvador Sobral (acho que já toda a gente sabe quem é), numa entrevista que passou na RTP no Domingo passado. Bendito dia que fui visitar os meus pais, se não, nem saberia que tinha havido a Eurovisão... e estávamos a almoçar quando começou uma entrevista deste menino realizada no mês passado... Bem, confesso que saltei da mesa para o sofá, pois não se consegue ficar indiferente a tamanha autenticidade. O Salvador diz algo do género, a música não é fogo de artifício, a música é sentimento. E acho que isto diz muita coisa. O que nos muda, o que nos transforma não é o fogo externo, é antes aquele que vem de dentro, que como diz Camões, que arde sem se ver.

domingo, 19 de março de 2017

O meu pai e o Pai Nosso

O dia do Pai é todos os dias, sendo que em Portugal, é celebrado hoje, dia de São José, o pai de Jesus.
É natural que hoje nos venha à memória muitos momentos que guardamos desde pequeninos do nosso pai, uns bons, outros menos bons, uns alegres, outros tristes... cada um de nós terá as suas histórias.
foto tirada em Portinho da Arrábida, Setúbal (2017)
Mas por detrás de todos esses momentos, por mais dolorosos ou causadores de feridas tão profundas no interior de uma criança tão pura, que muitas vezes levaram mais de vinte anos a tornarem-se passíveis de ser saradas, nós sempre soubemos que existiu algo por trás de tudo isso, algo intangível. Não cresceu nem diminuiu.
Nasceu simplesmente quando viemos ao mundo, através deste pai: o amor incondicional.
E só por isso, consigo compreender o que nos ensinaram um dia "que o senhor é o meu pastor e nada me faltará".

sexta-feira, 17 de março de 2017

A alma, o corpo e tu.

imagem retirada daqui: 
http://pinup-doodles.blogspot.pt
/2010/11/new-vivienne-westwood
-fragrance-naughty.html
Quando tu consegues tomar consciência que tu não és tu - não a um nível intelectual - porque esse está muito acessível e só não o desenvolve quem não quer ou não se interessa... mas a um nível mais profundo...
Tu deixas de querer ser tu, leia-se os outros: aqueles que têm o teu sangue, aqueles que te "educaram", aqueles que de uma forma ou de outra te marcaram e guiaram o teu caminho, as tuas escolhas, conscientes ou não, os teus hábitos, os teus vícios... e que te trouxeram ao que tu és agora.

De que vale a pena caminhares na rua com os sapatos mais lindos da loja, se te apertam o dedo mindinho ou se escorregas dentro deles, quando os paralelos da rua não são assim tão paralelos, têm altos e baixos, são irregulares e imprevisíveis. E tu, o teu corpo e a tua mente estão nesse jogo, no jogo do medo de não cair no buraco da estrada que te impede de desfrutar do caminho?

Os "sapatos" que tu calças permitem-te voar?
São tão leves que a tua Alma pode calçar, sem sentir o peso da gravidade?
Tão leves que te permitem sentir a terra, a calçada de pedra, o passadiço de madeira, a areia molhada, a água do mar...?

Os sapatos são uma metáfora que escolhi para refletirmos sobre os nossos "pés", o nosso corpo, a nossa alma. Sobre a nossa estrutura, a nossa pele, a nossa sensibilidade.
Olhamos para ela(s)? Tocamos-lhes? Conseguimos senti-las? O que elas nos dizem? Ou gritam?
Ou já só conseguem gemer?
Elas estão feridas? Doem? O que elas te pedem?
Que te adaptes ao calçado ou que compres uns sapatos novos?
Ou que andes de vez em quando sem sapato algum para poderes sentir o calor das rochas aquecidas pelo sol da tarde, a doçura da terra coberta de verde num dia de Primavera, as ondinhas do mar que te massajam as pernas...?

O nosso corpo é o templo da nossa alma, digo isto muitas vezes nas minhas consultas, porque acho que às vezes esquecemos ou não queremos lembrar. Como pode viver a nossa alma num corpo doente, dolorido, inflamado?
E como pode um corpo ter energia e capacidade para se auto-curar se a sua própria alma está encolhida, tolhida pelos espartilhos que colocamos na nossa vida?

E NÃO! a solução da dor, seja ela física ou psicológica, não está no antídoto farmacológico que alivia, mas não cura. A solução está no Amor.
E o amor é cuidado como diz a música de Caetano Veloso:
"quando a gente gosta é claro que a gente cuida..."
então
"onde está você agora?"

Estas são as reflexões de um coração às vezes dorido, mas sempre cheio amor para esse coração que me lê e me sente,
Lea

domingo, 5 de março de 2017

A loucura é vital!

Tróia, Fevereiro de 2017
A loucura faz parte da vida. A vida sem loucura não existe. Torna-se algo inanimado, uma coisa sem seres vivos.
Não tem cor, não tem cheiro, não tem paladar, não se sente no toque, não tem energia, não tem alma.
Lobo Antunes disse um dia que a loucura é "sair de uma determinada norma e que para isso muita coragem é necessária..." Sim, por vezes sim, por vezes não. Digo eu.

Todos os dias ela me vem... e me pede para viver.
Para fazer, para sentir, para curar, para transmutar, para libertar... para explodir...
whatever I want, whatever I need.

Ela é a força motriz, ela vem de dentro, do mais íntimo e profundo de nós, do âmago do Ser.
Ela é a chama que precisa ser mantida para dar vida e transmutar a matéria.

A loucura a que me refiro vem também do Fogo, que faz parte dos 5 elementos da natureza - o Fogo, a Terra, o Metal, a Água e a Madeira - cada um deles essenciais à vida, porque cada um deles é alimento de todo e cada órgão do nosso corpo. É  responsável também por todas as emoções que existem - sejam elas mais agradáveis ou menos agradáveis - consoante estejamos em harmonia ou desarmonia com o que nos conecta ao nosso Ser, aos outros e ao Universo.

Para não exceder muito este rascunho... pois a melhor parte é aquela que se lê depois de ler... a que se lê com o coração - o órgão que é nutrido pelo Fogo - vou terminar por aqui, perguntando-te, perguntando-me?

- quantas vezes por dia tu alimentas esse ser louco que existe dentro de ti?

- quantas vezes transbordas de loucura, sabendo que essa loucura cura? cura o outro e cura-te a ti?

- quantas vezes tu - agora para citar Pessoa - "pões quanto és no mínimo que fazes"?... porque "para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui"

- quantas vezes preparas o melhor prato do mundo, quando estás sozinho(a):
Não para tirar uma foto para as redes sociais e dizerem-te o quão bom ou boa és a cozinhar e a fazeres pratos gourmet,
mas apenas porque tu és o ser mais importante do mundo, e por isso queres nutri-lo com tudo aquilo que a Vida te pode dar?
mesmo que não tenhas muito jeito para cozinhar, quantas vezes não páras tudo e dizes para ti próprio(a) que agora queres ser a loucura toda que existe dentro de ti e que o limite é o infinito?!

e que no final enquanto aprecias cada pedacinho do céu, não te contens de tanto prazer e de tanto amor, que em pouco tempo já perdeste a noção se estás a consumir um alimento ou a ter uma experiência extra-sensorial, que simplesmente extravasou a consciência do teu corpo e da tua mente?

O conselho que te dou enquanto ser humano que veio Cá para sentir o outro e curá-lo dentro dos conhecimentos que busco e das experiências vivo é:

Sê louco enquanto isso te nutre! Enquanto isso te dá vida!

Lea Caniço