quarta-feira, 15 de abril de 2015

A vida moderna e a inflamação silenciosa...


Hoje em dia, estamos expostos a uma imensidão de agentes que agridem o nosso organismo, os nossos tecidos, as nossas células. Estes agentes vão desde o natural processo de stress oxidativo das células, que não é compensado com os antioxidantes, naturalmente presentes no organismo ou provenientes da alimentação, levando a lesões, sobretudo dos tecidos cerebral e cardiovascular; a ingestão ou inalação de químicos, como os fumos e metais pesados da poluição, do cigarro, dos alimentos; o álcool; a absorção pelo intestino de substâncias maléficas, sobretudo nas situações em que a flora intestinal está desequilibrada (tão frequente em estilos de vida apressados e pouco saudáveis). Estes são apenas alguns dos fatores químicos, físicos ou biológicos que desencadeiam agressões celulares e consequentemente a chamada inflamação silenciosa (ou sub-clínica).
Esta inflamação é agravada pela alimentação rica em produtos processados, refinados, carnes e lácteos, falta de descanso e ainda pela própria acumulação de gordura abdominal, que por si só produz uma série de fatores inflamatórios.

A boa notícia é que todo este processo pode ser atrasado ou até revertido em muitas situações!

Para uma ideia de como está o seu grau de inflamação, para além de uma análise clínica, que seria o desejável, pode refletir sobre o seu estado de fadiga, sobretudo mental, a sua memória e concentração, a acumulação de gordura abdominal, as dores musculares, de cabeça, o estado da sua pele ou cabelo, algum tipo de alergia ou irritação gastrointestinal, por exemplo, se a sua alimentação tem com frequência fritos, salgadinhos, bolachas, bolos, margarinas, carnes ou lácteos.

Já todos ouvimos falar na ação benéfica dos ácidos gordos ómegas 3 ao nível da saúde do sistema nervoso, cardiovascular, na prevenção do cancro, das doenças neuro-degenerativas e do envelhecimento precoce. E na ação anti-inflamatória? Este é um dos principais benefícios deste tipo de ácidos gordos, mas há que ter em atenção que a proporção ómega 6 : ómega 3 não menos importante. Os ómega 6, tal como os ómega 3, são ácidos gordos essenciais, pois o organismo não consegue os sintetizar, mas são pró-inflamatórios. De facto, um dos grandes problemas da alimentação moderna vem daí, do desequilíbrio desta proporção, que deveria ser de 2 (no máximo 4) de ómega 6 para 1 de ómega 3. Na Europa esta razão ultrapassa 16 para 1 (para não falar de que nos Estados Unidos a razão chega aos 30 para 1).

Com o recente alerta da comunidade científica para os benefícios do ómega 3, a produção de suplementos de ómega 3 disparou em flecha. Sabemos que as principais fontes alimentares de ómega 3 (ricos em EPA e DHA, os ácidos gordos que realmente são essenciais) são os peixes gordos (sardinha, cavala, atum, salmão, anchovas e arenque). Existem fontes vegetais, para quem tem uma alimentação vegetariana ou vegan, como a linhaça, um pouco nas nozes e uma quantidade mínima em algumas algas. Importa contudo sublinhar que esta fonte de ómega 3 vegetal provém do ácido gordo alfa-linolénico (ALA). Para este ALA ser convertido em EPA e depois em DHA requer diversas transformações bioquímicas, com recurso a diferentes nutrientes para o fazer. Sendo que para conseguir produzir 1g de EPA, precisamos de 20g de ALA. Isto é muito importante para os vegetarianos e por isso procuro sempre explicar este fenómeno nas minhas consultas para vegetarianos/veganos, pois estas transformações bioquímicas são ainda influenciadas pela ingestão de gorduras ómega 6, de outras gorduras na dieta e ainda pelo stress.

Então o que é preciso saber para escolher um bom suplemento de ómega 3?

Como disse anteriormente ter em atenção a quantidade de EPA e DHA, devendo a primeira ser superior à segunda (excepto para as grávidas).

O suplemento deve ter a garantia de pureza e isenção de compostos tóxicos (sem mercúrio, dioxinas e PCB’s naturalmente presentes nos peixes gordos). Deve conter uma boa quantidade de antioxidantes, como a vitamina E, o ácido cítrico, entre outros. Deve ser revestido com uma cápsula resistente ao ácido do estômago, para evitar o refluxo do óleo.
Finalmente, tem de ser certificado pelo IFOS International Fish Oil Standart.

                                                           

Em cima deixo as minhas sugestões de ómega 3 que cumprem todos os requisitos para uma qualidade máxima - uma fonte de ómega 3 original (rica em EPA e DHA) e uma fonte de ómega 3 vegetal (proveniente da alga Schizochytrium sp., única alga com EPA e DHA).


Para mais informações acerca da suplementação ou da dieta anti-inflamatória, sinta-se livre para enviar um email para: lea.canico@gmail.com

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